Quem tem medo da Gig Economy?

Quem tem medo da Gig Economy?

MemberImage
19.set.2017
Samir Amad

Quem tem medo da Gig Economy?

O conceito de trabalho no mundo está mudando e se recrutadores e empresas de staffing não mudarem se arriscarão a serem deixados para trás.

Embora a lei trabalhista no Brasil tenha sido atualizada para se tornar competitiva num cenário globalizado, percebemos que nos países de primeiro mundo já houve um aumento significativo na quantidade de contratos de trabalho temporário e freelancer - apelidado de "economia gig" (mercado de trabalho que compreende a contratação de trabalhadores temporários autônomos sem vínculo empregatício).

Compreender a extensão dessas mudanças e por que elas estão acontecendo, se tornará uma habilidade chave para qualquer recrutador e Consultorias de RH que querem ser bem-sucedidas.

Muito mais que a geração Millennial

Quando falamos em gig economy logo vem a imagem dos jovens que, de fato, abraçaram a economia freelancer mas quando pensamos num exemplo de sucesso como do motorista de Uber, compreendemos que profissionais na meia-idade e além, estão procurando maneiras criativas de permanecer empregados após a idade de aposentadoria tradicional. Além disto, a tendência é a de profissionais seniors em nível executivo ocuparem rapidamente este espaço.

Esta nova onda pode ser usada em uma variedade de papéis, seja funções iniciais administrativas até trabalhadores altamente qualificados com posições superiores e técnicas. Surgirão espaço para o nível executivo - CFOs, CTOs entre outros, que poderão ser realmente eficazes em uma base temporária, pois é uma oportunidade para as organizações adquirirem conhecimento intelectual comprovadamente testado para uma determinada área, sem o investimento de longo termo no desenvolvimento destes executivos.

Do grande para o pequeno

Percebemos que pequenas empresas estão buscando pessoas seniores com experiência em trabalhar em grandes empresas, para trabalhos em períodos curtos onde possam absorver seus conhecimentos.

Curiosamente, essas "soluções executivas" estão se revelando uma alternativa no espaço de consultoria de gestão, na medida que as empresas se tornam mais conscientes da possibilidade de engajar talentos de grande calibre por curtos períodos de tempo.

Por que está acontecendo agora?

As pessoas estão procurando experiências e crescimento, e a necessidade de estabilidade não está tão arraigada. A mudança para atuações de curto prazo também está sendo gerada pelas empresas que buscam respostas rápidas e especialização.

Considerando a economia globalizada e os recursos financeiros cada dia menores, as empresas não podem ter empregados de alto calibre, especializados e com conhecimento de nicho em todas as áreas, neste cenário, a gig economy se desenvolve com fluidez.

Mas a verdade é que isso não é exatamente novo. Adquirir serviços de consultoria ou profissionais especializados por curto espaço de tempo sempre aconteceu. O que muda é a gig economy encontra um espaço maior e mais rápido devido ao aumento da tecnologia, permitindo que candidatos e empresas se conectem diretamente.

Quais indústrias serão mais afetadas?

O segmento de recrutamento e seleção será o mais diretamente afetado, embora as empresas estejam evoluindo e mudando, apenas com a adoção e desenvolvimento de plataformas tecnológicas para prover profissionais, as empresas de Consultoria serão mais propensas à gig economy.

O desafio para as Consultorias será ter um banco de dados suficientemente grande e acesso a candidatos suficientes, para poder fornecer conjuntos de habilidades de nicho com experiência relevante da indústria para papéis especializados.

O futuro

Embora a emergente gig economy tenda ser gigante o setor de recrutamento sempre será considerado vital para ajudar os candidatos a encontrarem o emprego certo e as empresas preenchendo suas necessidades de pessoal.

O desafio estará em como criar novos padrões de serviços e diferenciais reais e mensuráveis.